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Grêmio: Dívida R$ 935 Milhões Apontada por Auditoria. Entenda os Detalhes da Situação Financeira Tricolor

Por Redação Sou Imortal em 25/03/2026 19:03

Uma auditoria recente, conduzida pela Baker Tilly Brasil, lançou luz sobre a complexa situação financeira do Grêmio, apontando um endividamento total que alcança a expressiva marca de R$ 935,6 milhões ao final de 2025. As conclusões deste minucioso levantamento foram apresentadas à diretoria do clube em uma reunião do Conselho Deliberativo realizada na Arena.

O montante de R$ 516 milhões refere-se ao passivo circulante, ou seja, obrigações financeiras com vencimento em até 12 meses, com destaque para 2026. É importante ressaltar que estes valores não se limitam a dívidas já vencidas, mas incluem todas as responsabilidades financeiras que o clube precisa honrar em um horizonte próximo, ainda que haja itens em atraso.

Detalhes do Passivo Tricolor

Somando-se as obrigações de longo prazo, que se estendem a partir de 2027, o valor adiciona R$ 419 milhões ao endividamento total. A análise detalhada revela a origem desses compromissos financeiros, com alguns dos principais itens que compõem o passivo:

Item Valor Total Curto Prazo
Fornecedores R$ 37 milhões R$ 37 milhões
Instituições Financeiras R$ 80 milhões R$ 37,1 milhões
Obrigações Fiscais e Sociais (parcelamentos) R$ 154,5 milhões R$ 39,6 milhões
Contas a Pagar por Compra ou Empréstimo de Atletas R$ 124,2 milhões R$ 113,7 milhões
Antecipações Diversas (quadro social e direitos de TV) R$ 97,5 milhões R$ 58,4 milhões
Participações e Comissões a Empresários R$ 54,6 milhões R$ 45,8 milhões
Acordos (com atletas, por exemplo) R$ 30 milhões R$ 26,2 milhões
Empréstimos com Empresários R$ 169,2 milhões R$ 57 milhões

"De uma forma geral, a situação é um pouco preocupante, pois o volume do nosso passivo de curto prazo é quase igual a previsão de receitas no orçamento de 2026. O que demandará ao clube busca por novas receitas, reperfilamento da dívida (necessidade de alongamento de compromissos) e, principalmente, o cumprimento das metas orçamentárias, como a venda de atletas para a temporada, visando possamos buscar o equilíbrio financeiro durante este ano, que é um ano desafiador", declarou Joel Junior Machado Corrêa, presidente da Comissão para Assuntos Econômico-Financeiros, ao ge.

Contas de 2025 Aprovadas com Ressalvas

Apesar do cenário financeiro desafiador, as contas referentes ao ano de 2025, sob a gestão de Alberto Guerra, foram aprovadas pelos conselheiros. O exercício registrou um superávit de R$ 35 milhões, um resultado positivo que, contudo, foi significativamente influenciado por uma doação da gestão da Arena feita pelo empresário Marcelo Marques. Esse aporte teve um impacto contábil de aproximadamente R$ 400 milhões, sem representar um ingresso direto de caixa para o clube.

A auditoria revelou uma escalada notável no passivo total durante a gestão anterior. O montante evoluiu de R$ 640 milhões em 2023 para R$ 935 milhões em 2025, configurando um aumento de R$ 295 milhões, o que representa uma variação de 46%. A evolução detalhada do passivo é a seguinte:

  • Passivo total em 2025: R$ 935 milhões (R$ 516 milhões de curto prazo e R$ 419 milhões de longo prazo)
  • Passivo total em 2024: R$ 795 milhões (R$ 306 milhões de curto prazo e R$ 489 milhões de longo prazo)
  • Passivo total em 2023: R$ 640 milhões (R$ 325 milhões de curto prazo e R$ 315 milhões de longo prazo)

É fundamental compreender o conceito de passivo no contexto de uma entidade como o Grêmio. Trata-se do conjunto de obrigações que a instituição tem a cumprir. Isso abrange não apenas dívidas vencidas, mas todas as responsabilidades financeiras que devem ser quitadas dentro de um determinado período. No universo do futebol, essas obrigações incluem pagamentos a fornecedores, instituições financeiras, débitos fiscais e sociais, valores devidos a outros clubes pela negociação de atletas, salários e encargos trabalhistas. O passivo é usualmente dividido em "passivo circulante" (a ser pago em até 12 meses) e "passivo não circulante" (com prazos superiores a 12 meses). Adicionalmente, o passivo pode contemplar antecipações de receitas e valores recebidos como luvas, como em contratos de direitos de transmissão. Portanto, o passivo não se restringe apenas a desembolsos futuros, mas também a receitas que o clube deixará de auferir em períodos vindouros.

Perspectivas da Nova Administração

A nova gestão, sob o comando do presidente Odorico Roman, que assumiu em dezembro, informou ter realizado o pagamento de R$ 100 milhões em dívidas nos primeiros dois meses de sua administração. Essa quitação foi viabilizada pela entrada de novas receitas no caixa do clube.

Em retrospecto, ao final de sua gestão, Alberto Guerra publicou uma carta aberta onde apresentou dados sobre a dívida deixada por sua administração. Na ocasião, Guerra argumentou que a dívida do Grêmio havia crescido R$ 220 milhões durante seu mandato, e que, somada à deixada pelo ex-presidente Romildo Bolzan Junior, o total atingia R$ 377 milhões. Essa contagem, porém, considerava apenas débitos vencidos que incidiam juros e correção monetária, excluindo valores de passivo ou endividamento em sentido mais amplo. O então dirigente não incluiu dívidas com jogadores (consideradas parcelas não vencidas) nem antecipações de receitas em sua análise.

Integrantes da gestão Guerra, em novembro do ano passado, destacaram à reportagem que o clube possuía R$ 80 milhões a receber pela venda de atletas. O então vice-presidente Fábio Floriani defendeu que o aumento da dívida era equivalente ao valor investido em contratações pela gestão, R$ 230 milhões, argumentando que tais investimentos eram necessários para fortalecer um time vindo da Série B.

Apesar de o Grêmio não ter obtido vitórias como visitante no Brasileirão, o foco da auditoria e desta análise recai sobre os números financeiros que moldam o presente e o futuro do clube.

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