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Grêmio SAF: Decisão Financeira e Futuro do Clube
Por Redação Sou Imortal em 25/07/2025 00:03
No cenário do futebol brasileiro contemporâneo, a busca por sustentabilidade financeira e competitividade se tornou uma prioridade incontornável para os grandes clubes. Para o Grêmio, essa reflexão ganhou contornos mais definidos nas últimas semanas, delineando uma estratégia clara, embora desafiadora.
Apesar da convicção interna sobre a imperativa necessidade de gerar novas fontes de receita para fortalecer a saúde financeira do clube, a transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) não figura, neste momento, como a rota preferencial. Tal afastamento, contudo, não implica em desinteresse pelo tema, mas sim em uma abordagem meticulosa.
Uma comissão permanente foi estabelecida no Conselho Deliberativo com a missão de aprofundar os estudos sobre o modelo. Paralelamente, o Conselho de Administração, liderado pelo presidente Alberto Guerra e seus seis vice-presidentes, mantém discussões frequentes. O objetivo é analisar exaustivamente os múltiplos impactos que o formato SAF tem gerado em outras agremiações e como isso poderia reverberar no futuro do Tricolor.
O Caminho Financeiro do Grêmio: Entre a Tradição e a Modernidade
A prudência impera nas avaliações internas. Fábio Floriani, um dos vice-presidentes do Conselho de Administração, expressa uma ressalva significativa sobre certos modelos de SAF. "Não imagino o Grêmio vendendo o seu clube para um outro clube, como aconteceu com o Bahia, que na verdade foi vendido para o Manchester City, que é praticamente dono do clube hoje", pondera Floriani, reforçando a preocupação com a preservação da identidade e autonomia. A expectativa é que, em um horizonte de curto a médio prazo, um modelo seja concebido e apresentado aos associados para deliberação, conforme ele mesmo aponta: "Acredito que a gente esteja falando num prazo de talvez um, dois, três anos, no máximo, para ter um modelo a ser perseguido e oferecido para o nosso associado."
Internamente, a avaliação é que o Grêmio possui um posicionamento de mercado favorável para uma eventual transição, se e quando ela ocorrer. Essa percepção é sustentada por uma estrutura de governança já consolidada e por um endividamento considerado sob controle. A busca, portanto, é por um modelo que seja simultaneamente viável, rentável e, crucialmente, aceitável pelos sócios do clube.
Não há um cronograma rígido estabelecido para essa "virada de chave". A urgência reside em encontrar mecanismos inovadores para angariar recursos que permitam ao Grêmio competir em pé de igualdade com equipes que desfrutam de maior poderio financeiro, sejam elas já transformadas em SAF ou não.
SAF no Brasil: O Cenário Competitivo e os Desafios Tricolores
A dinâmica do mercado futebolístico atual impõe uma realidade inegável. "Do ponto de vista de mercado, a situação é iminente, porque os clubes estão com capacidade de investimento. Olha as cifras que estão sendo investidas pelas SAF, e os clubes que não são SAF, com exceção do Flamengo e do Palmeiras, talvez do Corinthians, estão conseguindo acompanhar, porém os outros clubes não estão conseguindo acompanhar. Alguns estão inclusive se endividando muito acima do seu poder de endividamento para poder fazer frente a isso", argumenta Floriani, sublinhando a pressão crescente sobre os clubes de modelo tradicional.
A observação atenta das movimentações no cenário nacional é constante. Há exemplos de SAFs que colhem bons frutos em campo, enquanto outras enfrentam conflitos internos e disputas judiciais que comprometem a imagem e a performance. A incerteza quanto ao desenvolvimento a longo prazo dos modelos atuais no Brasil adiciona uma camada de complexidade à decisão. Modelos multiclubes, como os observados no Bahia e no Botafogo, inicialmente não despertam o agrado da diretoria gremista. Por outro lado, o caso do Fortaleza, que se tornou SAF sem um investidor único, optando pela venda de ações no mercado, é objeto de análise detalhada.
As Visões dos Candidatos: Diferentes Rotas para o Futuro Tricolor
O debate sobre a SAF permeia também o ambiente político do clube, com os candidatos à presidência expressando suas posições. Atualmente, quatro nomes se destacam: Denis Abrahão, Gladimir Chiele, Marcelo Marques e Sérgio Canozzi. Cada um, à sua maneira, oferece uma perspectiva distinta sobre o tema.
Sérgio Canozzi é o único a manifestar-se abertamente favorável à transformação em SAF, mas com ressalvas cruciais. "Sou favorável à SAF. Dou o exemplo do Fortaleza. Quem é o dono da SAF é o Fortaleza, é o clube. A SAF que eu defendo é a mesma, não é a do Textor (John) no Botafogo. Eu acho que é uma questão de convencimento (no Conselho Deliberativo)", destaca, diferenciando seu modelo ideal de outros já implementados.
Denis Abrahão, por sua vez, adota uma metáfora peculiar para sua visão de SAF, focando na base do clube. "A minha grande SAF será a categoria de base. Essa é a nossa galinha dos ovos de ouro", sentenciou, enfatizando o potencial de revelação de talentos como a principal fonte de valorização e receita.
Gladimir Chiele, um profundo conhecedor da relação do Grêmio com a Arena Porto-Alegrense, traça um paralelo entre a SAF e a gestão do estádio. "Nós temos uma SAF dentro de casa, que é a Arena. Para o bem e para o mal. Isso mostra que a SAF tem esse problema e nós estamos vivendo ele diariamente. A transformação do Grêmio numa SAF envolveria transferir patrimônio", pontua, alertando para as complexidades inerentes à transferência de ativos.
Marcelo Marques posiciona-se de forma veemente contra a SAF. "Eu sou contra SAF. (Precisamos de) dinheiro novo, que pode vir da melhor gestão da base, da gestão da Arena, ampliação da torcida", defende, sugerindo que o clube deve buscar novas receitas através da otimização de recursos internos e da expansão da base de torcedores.
Arena e Valor do Clube: A Complexidade da Transição
No intrincado panorama financeiro do Grêmio , a Arena emerge como um ativo de valor estratégico inquestionável. Próxima de ser totalmente incorporada ao patrimônio do clube, sua gestão e potencialização são elementos cruciais no processo de busca por novas receitas. Em discussões sobre SAF, a inclusão ou não do estádio na negociação, ou a criação de cláusulas que protejam a tradição e a localização, são pontos de grande relevância.
"Não é uma equação tão simples, é muito complexa, não só do ponto de vista do modelo, mas do ponto de vista financeiro e exige muito conhecimento. A Arena pode ser contabilizada e pode ser valorizada", argumenta Fábio Floriani, ressaltando a intrincada relação entre o ativo físico e a estratégia de valorização do clube. Acertar o modelo e os potenciais parceiros é vital para evitar problemas que possam impactar diretamente o desempenho esportivo.
A quantificação do valor de mercado de um clube como o Grêmio é um desafio técnico repleto de variáveis. Não há uma estimativa de valor arriscada por parte da diretoria. "É uma questão técnica. É uma discussão técnica dos modelos de avaliação, valoração de quanto é que vale um clube. Existem várias metodologias e essa é a beleza desse tema, porque se tu olhar sob o ponto de vista de alguma metodologia, os clubes valem pouco, mas se tu vai olhar sob o ponto de vista da marca, da paixão do torcedor, os clubes valem bastante. Encontrar um equilíbrio metodológico para entender qual é o valor dos clubes faz parte dessa dinâmica também. Não é uma coisa fácil e simples", conclui Floriani, evidenciando a dualidade entre o valor financeiro e o imensurável valor da paixão e da marca.
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